Criação vs Produtividade

Hoje, para se trabalhar com design, não basta ser um profissional talentoso, ler muitos livros, fazer cursos de atualização e ser antenado com o que passa à sua volta. Tem que se adaptar também ao ritmo de trabalho dos escritórios e ser produtivo não deixando, porém, de ser criativo.

Arrisco a dizer que, hoje em dia, a produtividade é o grande dilema da maioria dos designers. Ela afeta não só escritórios de grande porte mas empresas pequenas que, obviamente, querem crescer rápido e reservar seu lugar ao sol. Prazos cada vez mais curtos, jobs cada vez mais complexos e clientes cada vez mais exigentes fazem com que as empresas de design, muitas vezes, trabalhem como se fossem fábricas de salsicha: não dá para imaginar o briefing entrando de um lado da máquina e, do outro, saindo o produto pronto, perfeito para o consumo do cliente. Nessas horas, deixam-se de lado conceitos e processos fundamentais para o sucesso do trabalho.

Por outro lado, as empresas têm que satisfazer seus clientes dentro dos prazos, correndo risco de serem trocadas por outras que possam atendê-los de forma mais eficaz. Aliás, o mundo vive em outra velocidade e, para acompanhá-lo, todos têm que se adaptar a esse novo ritmo.

Queremos sua opinião: levando em consideração os dois lados da moeda, o que você acha sobre o tema?


  • http://kiotsugo.carbonmade.com Paulo Toshio

    Eu acredito que o problema esteja com todos que fazem parte desse sistema, muitas pessoas comentaram sobre os CLIENTES mas talvez estejam esquecendo que assim como a EMPRESA em que trabalhamos (nós designers) os Clientes de nossas empresas também possuem seus Clientes que COBRAM … e essa cobrança vai passando de Setor para setor … desde o usuário do produto que exige algo do fabricante, do fabricante que exige o serviço em tempo de fast food para a Empresa de Criação e a Empresa de Criação que não dão a devida atenção ao seu Designer … para mim .. TODOS deveriam tomar consciência de TEMPO e QUALIDADE de serviço … e ainda mais QUALIDADE de VIDA …

  • Ana

    Acho que deve haver um bom equilibrio entre criatividade e produtividade, contudo é verdade que é dificil quando falamos em tempo, pressão e todos os restantes factores aos quais um designers está sujeito. Penso que a experiência e estudo contam muito no que toca a lidar bem com a pressão que sobre nós é colocada, pois um designer com um historial significativo saberá gerir melhor o seu tempo e a sua pesquisa, terá menos dificuldade em saber para onde “se virar” ao dar inicio a uma novo trabalho. Mas ainda assim é stressante, com esforço e dedicação conseguimos!

  • http://www.coroflot.com/telmamafra Telma Mafra

    acredito que o problema relacionado a produtividade é gerado na quantidade de trabalhos, e não no tempo para executá-lo. Os clientes não tem noção da impossibilidade de se fazer muitos trabalhos ao mesmo tempo. É nisso que está o erro. principalmente quando se tem uma equipe pequena

  • Cecilia

    Acho que a arte que vai para o mercado vai mesmo como um conceito de arte barata que serve para suprir o momento e ganharmos o nosso pão.
    Enquanto arte pessoal vai além, esta não se preocupa com gosto ou mau gosto, é livre para o artista expor suas idéias.
    O design tenta expor por tempo curto a sua ideia que muitas vezes sofre a interferencia do cliente, dai por diante não pode ser livre pois é dependente do mercado.
    Sendo assim a arte proposta pelo design já não é mais sua pois vira alvo e interferencia para ser produto de fábrica.

  • http://twitter.com/HelivesVinyJL Viny Loureiro

    Sou designer e ao mesmo tempo Gerencio o trabalho de outros designers!

    Processo criativo é processo criativo e o seu tempo deve ser respeitado…mimado, etc…! mas ha de se convir que não é dificil encontrar designer que devagam, se disperção, voar, morcegam sob o pretexto de estar em processo criativo.

    Mais respeito ao processo de criação e mais consciencia por parte dos designers!

  • http://www.lumadesign.com.br Lucas de Freitas

    A discussão criatividade x prazo sempre existiu na comunicação e vai sempre existir.
    Na minha opinião é uma questão de posicionamento que os estúdios de design devem ter. De aceitar ou não algum job que julguem ter um prazo muito curto para ser feito. Mas existe um outro prblema que influi na produtividade também, além dos prazos , que é o briefing mal feito (muitas vezes feito as pressas pelo cliente). Se o escritório, antes de iniciar o projeto, ler e reler o briefing e se houver alguma duvida, tirá-la. As chances de sucesso, mesmo num prazo curto, são bem maiores.

  • http://www.kallelcapucho.com kallelCapucho

    Acho que a criatividade deve permanecer, tudo depende da explicação que você da para seu cliente e deixando claro que queremos o melhor para ele e para seu produto, agora se não for possível ele entender dessa forma acho nós Designers temos que ter o critério na hora de aceitar um cliente. “Como meu amigo fala aqui não é pastelaria”

  • Gabriela Brazil

    Na minha modéstia opnião: correria não combina com criatividade, que não combina com qualidade.O mercado só tá
    assim por que não se joga a real para os clientes, estes por si querem orçamento reduzido e metas cumpridas. Quem sofre é a parte criativa, que trabalha , trabalha , sem garantias, tá na empresa , mas na verdade é um freela que trabalha mais do que o próprio efetivo da empresa , e na hora das dores paga o médico, mas trabalha pq tem que se sustentar, pq gosta e pq se não o fizer vem outro e tira seu lugar, mesmo sendo uma porcaria.Até conseguir um verdadeiro lugar ao sol , a parte criativa se desgasta e pode até perder a criatividade…e carrega o job nas costas, na alma , na veia, sonha e acorda com ele.

  • André

    Acho que é a triste realidade que vivemos hoje em dia. Na minha opinião o anseio dos empregadores por grande produtividade de diversos trabalhos pequenos é um grande erro. Posso estar errado, não tenho empresa, mas acho muito mais vantajoso um trabalho de qualidade do que dez trabalhos de baixa qualidade.

    O fato é que para nós aqui no Brasil é mais puxado mesmo, e a remuneração não é compativel na minha opinião. O que nos leva a esse ciclo vicioso inevitável.

  • Gabriela Brodbeck

    O designer precisa ter uma visão geral do sistema e acompanhar o projeto em todos os processos da empresa, desde a concepção até a venda (e mais até), mas não é o que geralmente acontece.
    A fase inicial de concepção é a fase que mais demora, mas também é a mais essencial. É a fase onde todos os erros e situações são previstos e podem ser alterados..assim causando menos prejuizo financeiro para a empresa. Depois que o projeto vai para a fabricação, fica mais difícil modificar. Assim causa mais prejuizo para a empresa, pois os materias, a energia de fabricação irão ser desperdiçados, e os produtos já vendidos irão ficar obsoletos no mercado, sem falar na desvalorização da marca.
    Porém o projeto deve ser feito rápido par que os concorrentes não lançem, antes,produtos similares no mercado.

  • Leandro Alves

    Tem que haver uma boa conversa. Os clientes fazem a proposta, os designer avaliam e estipulam o tempo, pois se querem um bom resultado precisam respeitar o tempo da criação.

  • Rafaela Cordeiro (Designer)

    Nos dias atuais, acredito que não conseguimos eleger qual eh o mais importante (criatividade x produtividade) no ambiente de trabalho de um designer, mas sim conseguir trabalhar os dois em proporções simétricas… já traz bastante resultados!
    Mas não que isto seja tarefa facil ne?

  • http://www.felipecoelho.net.br Felipe

    Trabalho como webdesigner em house, ou seja, meu cliente é meu chefe. O que percebo é a falta de conhecimentos das pessoas sobre a profissão. Sempre tem aquela papo: “Faz uma coisa rapidinho aí no photoshop.”!

  • http://apoesis.blogspot.com JairPoeta

    O Artista nunca se adequa ao mercado.Ou se é um profissional ou se é um artista.Ponto!

  • http://www.rodrigoguimaraes.blogspot.com Rodrigo Guimarães

    Tudo tem seu tempo. Sem exceção!
    Nós podemos impor o nosso assim como o cliente o dele.
    Agora me digam: quem deve se adaptar a quem? Nós à eles ou eles à nós?
    Acho que tudo é questão de compreender!

  • Luhvaz

    Clientes devem ter noção que não vendemos coxinhas. Não é pegar o briefing e fritar. Trata-se mais de um processo de cultivo de arroz, deve-se plantar, colher, limpar e servir.
    Luang Bang

  • Tatomueller

    Concordo que hoje vivemos em um mundo onde a tecnologia e os recursos que temos hoje, não nos permite ter um job ficar meses na agência, pois muitas vezes se torna prejuízo, mas o grande desafio é educar o cliente que quando ele contrata uma agência ou um profissional de design justamente para dar a solução para o problema, mas na maioria das vezes isso não acontece, clientes que não sabe o que querem é o que mais existe. 

  • Silvia West

    Concordo que a questão é educar o cliente. E, para isso, uma forma de educá-lo é fazer com que ele acompanhe todo o processo da criação, fundamentando cada etapa e convencendo-o que é o melhor para a sua empresa. Nunca devemos abrir mão da ética, dos conceitos e processos fundamentais para um bom resultado. Temos que nos adaptar à velocidade do mercado sem colocar em risco a qualidade do trabalho.

  • Bruno Bortoletto

    Basta existir um alinhamento de expectativas entre os dois lados. Simples assim?

    - não.
    Pra isso precisamos de metodologias ou de frameworks que trabalhem nessa linha. Hoje eu uso o Scrum, um framework agil para projetos complexos, e não precisamos mais virar noites e noites. Abs. Bruno

  • Cddagr

    Já ia dizer isso. A educação do cliente ocorre no momento da negociação. Se ele quiser um trabalho porcaria, um dia já bastaria para fazer a entrega. Agora um trabalho bem feito, projeto devidamente estudado, manual pronto e aplicações estudadas… aí ele precisa jogar de acordo com nossas regras.

  • Marcelo Fernandes – Designer

    Pegando um gancho do colega Ricardo Mattos, nao acho q educar o cliente seja a solucao, pois no fim das contas “o cliente sempre tem razão”. O jeito mesmo é se adequar a demanda, com maquinas mais rapidas, ferramentas mais produtivas, um bom banco de imagem e fonts bem catalogados para facil busca e (o mais importante) ter uma equipe altamente qualificada. E aproveito para citar a questão do perfeccionismo…  Gasta-se demasiado tempo em detalhes q nem o cliente e nem o consumidor final irão perceber. Deixe para ser detalhista em obras q serão inscritas em concursos, pois os unicos q adoram caçar detalhes sao os proprios designers

  • http://www.facebook.com/people/Lothar-Matthaus-Nogueira-Barros/1772726171 Lothar Matthaus Nogueira Barro

    Muito bom Marcelo, porem vale ressaltar que os detalhes são o diferencial de cada designer. È ali que ele deixa sua marca. Com certeza, o maior problema hoje em dia é a conscientização do mercado e sua participação. O cliente deveria participar de cada etapa do projeto com o escritório de design, assim sendo, ele se tornaria parte do projeto e estaria sempre como demandante e acompanhando, o que tornaria o projeto muito mais eficiente.

  • http://www.facebook.com/people/Bruno-César-de-Sousa/100000103680057 Bruno César de Sousa

    Acho que o mundo está num rítimo frenético de receptação de informações. Com tantas redes sociais, a informação que antes era receptada por meios específicos (jornais, revistas, portais web), agora chega em larga escala, sendo que blogueiros e usuários de redes sociais podem disseminar o que quiserem a qualquer momento. Isso gera um efeito dominó nas formas de comunicação, atingindo também a necessidade de nosso cliente em veicular sua informação ou propagar sua marca tão rápido quanto as outras fontes. O lado inverso também sofre com isso: quem recebe a informação; pois haja vista, esta cada vez mais difícil selecionar as informações que são realmente relevantes para nós no dia-a-dia. O que isso tem haver com o tema do Debate?… Tudo!… acho que a essa altura você ja conseguiu enxergar o X da questão… Em resumo, acredito que nós mesmos é que criamos essa alta rotatividade de informações numa velocidade que nem o Sebastian Vettel conseguiria ultrapassar, logo, as agências e designers são o coração que bombeia o sangue para todo o resto do organismo para mantê-lo vivo, e quanto mais a adrenalina acelera os batimentos, mais rápido o coração tem que trabalhar. Infelizmente não tenho a solução para o problema, pois não da para simplesmente pedir para as pessoas buscarem/veicularem informações mais devagar…. mas pelo menos poderiam demorar um tempinho a mais para digerirem… assim daria tempo de eu parar um pouquinho de trabalhar e consultar o meu facebook pra ver o que está rolando… ;)

  • Alisson_avr

    Acredito que o grande problema é que ninguém chega pro cliente e pergunta: você quer um produto ou O PRODUTO?

    Quer simplesmente prazo, ou qualidade e eficácia?

    Já na agência, devem serem feitas perguntas como: somos profissionais criativos, ou profissionais de fast foof? Ops.. quer dizer Profissionais de “Fast Design”?Enfim, criar leva tempo

  • Ernani

    Eua cho que muitos nessa area de design internet grafica etc procura trabalhar como autonomo prestando serviços apartir de um pequno escritório nas suas casas. Qual é a moral disso é que o mercado perde as enpresas tambem porque os professionais não querem trabalhar por muito tempo com as condiçêos que são imposta, muitos gostam desse ritmo outros não por isso é que existe uma carencia de professionais nesses segmentos. 


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