ColorAdd, um sistema de identificação de cores para daltônicos
Design não é estética. Design, não é um folheto com uma faca super diferente e com o verniz localizado da moda, ou um logotipo que chama a atenção. Design é solução, é projetar para solucionar um problema, ajudar a comunicar uma ideia ou produto e também resolver problemas diversos que convivemos diariamente. Por isso, fico emocionado com projetos deste tipo, como o ColorAdd desenvolvido pelo designer português Miguel Neiva.
ColorAdd é um sistema de identificação de cores criado para ajudar daltônicos a distinguir as cores e é totalmente baseado em símbolos gráficos. Há alguns meses, trabalhei com um estagiário que era daltônico (sim, era designer) e pude perceber de perto o problema, que só então tinha ouvido falar, como a maioria das pessoas.
O daltonismo, (também chamado de discromatopsia ou discromopsia) é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do vermelho. Esta perturbação tem normalmente origem genética, mas pode também resultar de lesão nos órgãos responsáveis pela visão, ou de lesão de origem neurológica. O nome da doença é uma homenagem ao químico John Dalton, primeiro cientista a estudar a anomalia de que ele mesmo era portador*.

Miguel Neiva, criador do ColorAdd.
ColorAdd, obviamente, não é a cura para a doença mas é uma solução para cerca de 10% dos homens do planeta que sofrem com o daltonismo. Miguel estudou o problema por mais de 8 anos até desenvolver este sistema de códigos, que consiste em combinar cinco símbolos (um para cada cor primária – azul, verde e vermelho –, e para as cores branca e preta) para identificar a maior parte das cores utilizadas no dia-a-dia, como em produtos, nas ruas etc.
É um código monocromático, sustentado em conceitos universais de interpretação e desdobramento de cores, que permite finalmente aos daltônicos a correta identificação das cores.
Este código visa oferecer aos daltônicos independência aquisitiva, uma mais fácil integração social em situações em que a opção e escolha da cor é relevante e a minimização do sentimento de perda gerada pela deficiência, com o consequente aumento de bem-estar e autoconfiança. – extraído do site ColorAdd.
O projeto já foi implantado em uma marca de lápis de cor portuguesa, está em estudo para ser adaptado ao metrô da cidade portuguesa do Porto (onde será o primeiro metrô adaptado para daltônicos no mundo) e há até um adendo à um projeto de lei aqui no Brasil para tentar incluí-lo nos sinais de trânsito.
Imagine quantas pessoas poderiam se beneficiar com este projeto, não só adultos mas também crianças. Lembre-se que, apesar de ser uma doença que não é aparente, quem sofre da doença acaba sendo discriminado e motivo de chacota pelas outras pessoas.
Para conhecer melhor o projeto e entender sua magnitude, veja a apresentação que Miguel Neiva fez no TEDx do Porto, em Portugal.
* Adaptado da Wikipédia.
Via Follow the Colours e Icograda.
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