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Como foi o Pixel Show 2010

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Neste fim de semana, aconteceu em São Paulo mais uma edição do Pixel Show, maior evento de criatividade do Brasil e o quinto do mundo. Com a promessa de serem dois dias de intensa imersão em temas criativos nos campos da arte, design e ilustração, o Pixel Show consolidou sua reputação e tende a crescer nas próximas edições. Bom, nós estivemos lá e vamos fazer um resumo do que aconteceu.

Apesar de ter tido alguma desorganização no credenciamento, tanto dos participantes quanto da própria imprensa, o evento estava bem planejado, estruturado e executado. A galera da Zupi fez seu melhor para que fosse uma experiência inesquecível para quem passou por lá. É louvável a iniciativa, pois sabemos o quanto é penoso organizar um evento de arte e design desse porte aqui no Brasil.

Primeiro dia, 16/10/2010

Vale destacar que, paralelamente às palestras, aconteciam workshops sobre os mais variados temas, desde customização de urban toys feitos de pano à técnicas de graffiti. Como demos prioridade às palestras, não podemos falar muito sobre cada um dos workshops. Além disso, na área de stands, aconteciam intervenções de artistas em painéis, desde ilustração à graffiti.

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Após a abertura do evento, o fotógrafo Marcio Scavone inaugurou os trabalhos e falou um pouco de seus projetos. Renomado fotógrafo brasileiro, Scavone já fotografou artistas como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Caetano Veloso entre outros.

Começou por falar de sua vida pessoal, sua relação com o pai (que era fotógrafo e influenciou na sua escolha profissional) e o grande dilema de sua geração, quando fotógrafos experientes se depararam com a troca da máquina analógica pela máquina digital. Foi então que percebeu que o importante é a imagem, independente de ser feita em filme ou em arquivo digital.

Além disso, mostrou fotos de artistas e atletas famosos e seu trabalho no mercado editorial, com fotos e ensaios para revistas como Trip, Vogue, Caras, entre outras. Senti falta de uma abordagem maior em relação às técnicas e processos utilizados. Afinal de contas, o Pixel Show é um evento que vende esse tipo de abordagem e não apenas uma simples apresentação de portfolio.

Logo em seguida, foi a vez do diretor de filmes e animação Cisma. Denis Kamioka, seu nome real, tem carreira internacional, já trabalhou em Los Angeles, Itália, Barcelona e atualmente desenvolve projetos em Nova York, Londres e Amsterdã. Fez trabalhos para Nike, GM, Adobe, ESPN e MTV.

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Com uma apresentação um tanto caótica (não que seja um ponto negativo e sim uma característica da geração de hoje, com o intercâmbio de imagem, som, vídeo e referências na internet), Cisma mostrou seus trabalhos, falou um pouco de seu processo criativo e encantou a plateia com seus curtas, especificamente o filme feito para a Adobe, chamado Le Sens Propre, que mostra a vida surreal de uma criança que almeja sair de seu quarto e brincar com as outras crianças no parquinho em frente à sua janela.

Logo após o almoço, Dr. Sketchy e Banda Ccoma fizeram um show/aula de modelo vivo. Dr. Sketchy’s Anti Art School é um movimento burlesco artístico criado pela ilustradora norte-americana Molly Crabapple e que ofereceu aos presentes uma aula de modelo vivo diferente e ousada, através de uma performance pouco tradicional.

Dando continuidade, foi a vez de Luli Radfahrer, Ph.D. e professor em comunicação digital pela ECA-USP. Com sua palestra “Não tem PlayStation no paraíso”, Luli procurou estimular a plateia a pensar o que está acontecendo ao seu redor, como o mundo se transformou por causa da tecnologia e como reagir e pensar nos dias de hoje. De todos os palestrantes, talvez Luli seja o mais profissional nesta arte, pois tinha a palestra pautada, bem estruturada e se comunicou muito bem com o público, deixando-o ligado a maior parte do tempo (levando-se em consideração que palestou logo após o almoço).

Dan Goldman foi o primeiro convidado internacional a palestrar no Pixel Show deste ano. Ilustrador digital e quadrinista norte-americano, Dan tem suas ilustrações estampadas com frequência nas páginas de importantes veículos como New York Magazine, GQ, TIME e Entertainment Weekly. Falou e demonstrou sua paixão por contar histórias através dos quadrinhos. Enfim, alguém que abordou seus processos e técnicas de trabalho, carência principal entre os participantes do evento. No final da palestra, reservou um tempo para mostrar seu último projeto, a série de quadrinhos Red Light Properties, que se passa em Miami, EUA. Além disso, mostrou em primeira mão a ilustração que fez para a New York Magazine, que sairá ainda esta semana em território americano.

Segundo “estrangeiro” do dia, o holandês Florentijn Hofman é conhecido pelas grandes instalações que faz, principalmente nos países baixos (pessoal, sem trocadilhos). Trazido especialmente pelo patrocinador master do evento, Hofman mostrou suas obras, um pouco da história de cada uma, além de trazer ao palco um macaco inflável, referência da obra que fez no Parque Mário Covas (São Paulo), com um macaco gigante feito de chinelos Opanka.

Para fechar o primeiro dia, eles não poderiam escolher melhor: chamaram Bobby Chiu e Kei Acedera, ovacionados pelo público do início ao fim. Hoje fazem parte da Imaginism Studios, baseado em Toronto, no Canadá, onde desenvolvem trabalhos para estúdios como Disney e Warner Bros. Um dos últimos projetos da dupla foi a concept art da mega-produção Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton.

Chiu falou bastante sobre o processo de ilustração, foi simpático o tempo todo com o público e deu dicas para aqueles que estão começando nessa profissão ou que já estão nela há algum tempo, mas ainda tem dúvidas de como proceder, por exemplo, com a remuneração de seus trabalhos. Enquanto Chiu falava, Accedera fazia um desenho ao vivo, para admiração de todos. A dupla realmente é muito talentosa e vale muito a pena conhecer o trabalho dos dois.

A organização do evento promoveu uma festa em uma boate da cidade, oferecendo acesso VIP para todos os participantes. Uma bela pedida para um dia inteirto de palestras, workshops e intervenções.

Segundo dia, 17/10/2010

Na minha opinião, o primeiro dia foi mais empolgante do que o último, não só pela quantidade de palestras quanto pela qualidade das mesmas. Não que os palestrantes do segundo dia não sejam bons, pelo contrário, mas as palestras do primeiro dia fluiram melhor. Talvez pela experiência e carisma de seus palestrantes. A exceção foi a do cartunista Paulo Caruso, mas falaremos mais sobre ela adiante.

Quem inaugurou a manhã de domingo foi o jovem designer e artista colombiano Felipe Bedoya. Ele é estudante de Design Gráfico na Escola de Belas Artes de Cali, Colômbia e com apenas 23 anos, o artista conseguiu ter seu trabalho publicado e reconhecido em revistas do mundo todo, como Viziomag, a própria Zupi, Gooo, El Clavo, Oga, In Format, entre outras. Bedoya mostrou seus trabalhos e falou um pouco sobre eles. Assumiu o status de revelação do evento, mostrando talento e maturidade profissional já com tão pouca idade.

Depois veio a dobradinha de gaúchos Dimitre Lima e Índio San, que fizeram suas palestras independentes. Dimitre une a subjetividade da arte e do desenho com os cálculos precisos da programação. Segundo ele, três coisas o influenciaram para tomar esse rumo: o desenho, a música e seu primeiro computador, no qual passava várias horas explorando o DOS e fazendo programações para ele. Começou sua palestra mostrando algumas fontes que fez, quase que despretenciosamente, mas o ponto forte foram seus trabalhos de animação baseados em complexos (ou não) cálculos matemáticos, todos escritos por ele.

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Já Índio San, que não quis revelar a origem de seu nome artístico, mesmo a pedido do público, mostrou seu trabalho de ilustração mais autoral, explorando fotografia, pintura digital, desenho, esculturas articuladas e arte sequencial. No final da palestra, apresentou um de seus últimos projetos, o livro de quadrinhos Um Outro Pastoreio. Feita em parceria com o jornalista Rodrigo dMart, a história é uma versão macabra da lenda gaúcha do Negrinho do Pastoreio, um escravo que tinha o dom de encontrar coisas perdidas.

A organização estava disposta a evitar que o público dormisse no auditório após a pausa do almoço e escalou o já consagrado cartunista Paulo Caruso. Com humor refinado e qualidade idem, suas charges arrancaram risadas dos participantes. Infelizmente, Caruso não falou de processos, apenas apresentou alguns de seus trabalhos. O que realmente surpreendeu, foram as cantorias a cappella de algumas músicas que ele mesmo compôs, para um misto de delírio e espanto de quem estava presente. Teve até saideira, a pedido do público.

Para fechar o evento, escalaram Jason Manley, presidente da Massive Black Inc., uma das maiores empresas de concept art do mundo, atendendo grandes clientes da indústria de games e filmes, como ID Software, Activision, Black Isle Studios e Microsoft. Além disso, Jason é fundador da Conceptart.org, do The Art Departament, do One Big Mob e da C.A. Social.

Foi a única vez que uma palestra atrasou de modo a incomodar o público. Alguns problemas técnicos com o computador do palestrante impediram que a palestra começasse no horário previsto. Também nada grave, pois a organização aproveitou o gap para fazer sorteios de produtos e cursos dos parceiros do evento.

Jason mostrou seus trabalhos, personagens que concebeu para alguns games e, o mais importante, falou sobre design para jogos, que vem crescendo ultimamente e encantando vários designers no mundo inteiro.

Foram dois dias de intenso debate de opiniões, mostras artísticas e reflexões. Quem foi diz não se arrepender e promete fazer uma força para estar lá no ano que vem.

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sobre o autor

thiago mano
Formado em Desenho Industrial pela Faculdade da Cidade/RJ desde 2005. Trabalhou nas agências Tecnopop e Tátil Design, contando no seu portfolio com trabalhos da TIM, NET, Duloren, Femmina, P&G, Shell e Bradesco. Hoje faz parte da equipe criativa da agência Conception. Gosta de fazer ilustração em Pixel Art, fotografia e viajar.

  • Kenji Watanabe

    Eu tava lá…Imaginei que vocês estivesse já que fizeram o anuncio do concurso de 7 anos da revista design.

    Concordo com vocês que o primeiro dia foi muito mais empolgante e principalmente pela paixão pela profissão que Bob Chiu falava…..Sinto que faltou pauta nos trabalho (como o do Luli)…
    Mas enfim, foi bom….

  • http://www.thekdu.net/elvisbenicio Elvis Benício

    Eu estava por lá tbm galera. Pena não ter trocado uam figurinhas com vcs por lá. Mas, deixa para a próxima. A matéria resumiu bem o o que rolou no pixel, show! (rsrs) :]

  • http://www.revistadesign.com.br/ Barbara Formagio

    Pena que não nos conhecemos. Na próxima vez combinamos!



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