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Relatório do agente 288 infiltrado no TEDxSudeste

Por Guilherme Howat

Foto de Guilherme Howat

No último sábado o Rio de Janeiro sediou o TEDxSudeste, o segundo realizado no Brasil, e espero que o primeiro de muitos por aqui. Para assistir ao evento carioca, o interessado devia preencher um formulário online respondendo, além de perguntas sobre seu interesse em assisstir ao evento, outras sobre sua trajetória pessoal e profissional. Quem não conseguiu participar presencialmente teve a opção de assistir as palestras online e comentar via Twitter.

Para quem ainda não sabe, o TED surgiu em 1984, como uma conferência anual focada no trinômio Tecnologia, Entretenimento e Design, com o objetivo principal de disseminar idéias inovadoras e transformadoras. Atualmente, o TED se apresenta em vários formatos, TEDGlobal, TEDActive, TEDIndia e os regionais TEDx.

O tema do TEDxSudeste 2010 foi Colaborando Para Transformar e, seguindo esta premissa, um grupo de 28 palestrantes, uma atração musical e uma humorística se alternaram durante as 12 horas de evento.

O planetário da Gávea foi o local escolhido para a realização do TEDx carioca e 8h foi o horário marcado para início do evento. Apesar de começar com 50 minutos de atraso, este me pareceu ser o único deslize da organização durante todo o evento. Outros pequenos acidentes com microfones e projeções, comuns neste tipo de evento, foram solucionados com bom humor e jogo de cintura por parte dos organizadores e palestrantes.

Tadeu Schmidt foi o mestre de cerimônias do evento e assumiu este papel com competência, muito bom humor e, apesar de brincalhão, com uma gentileza ímpar.

Durante os blocos de palestras, o público pode circular livremente pelo museu e visitar a exposição permanente. O espaço principal, onde foram realizadas as palestras, foi a cúpula do planetário. O pequeno palco teve suporte de projeção dos slides e vídeos, e o acompanhamento das palestras por tradutores em libras.

Foto de Guilherme Howat

Em minha opinião, o clima foi o ponto alto do evento, todos os participantes interagindo de forma cordial e abertos a escutar novas ideias e visões. Era como se todos ali soubessem, sem exceção, que cada pessoa naquele local tinha uma história para contar e interesse em ouvir um pouco das suas.

A grande maioria dos palestrantes apresentaram ideias e conceitos colaborativos muito interessantes, os quais, eu tenho certeza, fizeram cada um dos espectadores refletir sobre os diversos temas abordados. Comentarei a seguir alguns dos que considerei mais marcantes.

Eu já conhecia o André Trigueiro do programa Cidades e Soluções mas diferente do tom leve do programa, sua participação no TEDx foi um verdadeiro manifesto a favor do meio ambiente, principalmente no que diz respeito ao consumo consciente.

Viviane Mosé discursou sobre o formato atual da escola e expôs a necessidade de evoluir o sistema de educação atual.

Rodrigo Pimentel, que não reflete em nada a postura rígida do seu alter-ego capitão Nascimento, quebrou paradigmas e mostrou como a violência pode ser combatida através de ações integradas e colaboração.

Jaime “homem tartaruga” Lerner brindou a plateia com sua simpatia e competência. Apresentou uma gama de projetos urbanísticos que já fazem e outros que com certeza farão diferença de forma positiva. Jaime foi uma das surpresas do dia, um senhor com um carisma tão grande quanto sua capacidade de fazer as coisas acontecerem.

Marcelo Yuka foi, como sempre, um contraponto importante. Uma figura que age alertando, fazendo com que os nossos pés permaneçam no chão, apesar da imaginação estar nas nuvens.

Christian Rôças mostrou na prática a importância de repensar a forma de distribuição de conteúdo online, e como os artistas de hoje necessitam repensar suas fórmulas de promoção e retorno financeiro.

Fred Gelli fez uma analogia bastante interessante entre um projeto de design e a evolução natural dos vegetais, que deu origens às flores e sua interdependência com insetos e pássaros. Concluindo que o raciocínio projetual tem muito de natural.

Karen Worcman me deixou bastante interessado em conhecer o projeto chamado Museu da Pessoa.

Vik Muniz apresentou como um artista plástico pode agir de forma socialmente responsável, independente do tipo de público ou trabalho que realiza.

Pedro Franceschi foi uma surpresa, um menino que representa uma geração de pessoas que não tem como responder de onde vem seus interesses por tecnologia, pois o mundo que conhecem não existe sem ela. O garoto, de apenas 13 anos, fez uma palestra interessante, bem humorada e muito inteligente sobre a relação entre sua visão e interesses pessoais em tecnologia e a dificuldade de lidar com a visão de seus pais sobre a mesma.

Com certeza o evento foi um sucesso. Faço votos para que este, assim como o carnaval, o reveillon de Copacabana e o “verão”, faça parte do calendário de eventos anuais da cidade, pois se tem uma coisa que o Rio de Janeiro precisa é de visão crítica, discussões democráticas e ações transformadoras.

Sobre o autor

Guilherme Howat é Desenhista Industrial experiente em planejamento, gerenciamento e desenvolvimento de projetos para os meios impresso e digital. É sócio no segmento de design gráfico da 288, e professor universitário.

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