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Um dia especial no MoMA

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Continuando nossa série de matérias especiais sobre nossa visita aos Estados Unidos, vou falar hoje de um dos melhores museus que visitei: o MoMA (Museum of Modern Art) de Nova Iorque. Não digo isso por ser um renomado museu, que já abrigou grandes exposições e estar numa das cidades mais ricas culturalmente falando, mas pelo fato de termos dado uma sorte danada na época em que fomos lá.

Tivemos a felicidade de visitar duas grandes exposições – no mesmo período, no mesmo lugar, de uma tacada só. E esse foi “o dia” da Bauhaus e de Tim Burton. E é por essa razão que não vou me aprofundar tanto no museu em si e sim nessas duas espetaculares exposições.

O MoMA, localizado na rua 53, entre as 5ª e 6ª avenidas (há também uma entrada pela rua 54) da famosa ilha de Manhattan, é composto por um prédio principal com oito pavimentos (seis para cima e dois no subsolo) que abriga o próprio museu, um centro de pesquisa e uma das lojas. A outra, fica em frente ao prédio, logo do outro lado da rua 53.

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Sculpture Garden

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Sculpture Garden

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Sculpture Garden

Inaugurado em 1929, o museu reabriu em novembro de 2004, após reformas comandadas pelo arquiteto Yoshio Taniguchi, que quase dobrou a capacidade das instalações anteriores. Os oito pavimentos do David and Peggy Rockefeller Building abriga a coleção principal e as galerias de exposições especiais. Em frente ao prédio das galerias, está o Lewis B. and Dorothy Cullman Education and Research Building (o edifício de Educação e Pesquisa), que oferece hoje cinco vezes mais espaço para atividades educacionais e de pesquisa que tinha disponível anteriormente. Uma das principais preocupações de Taniguchi era restaurar o Abby Aldrich Rockefeller Sculpture Garden (jardim das esculturas), original de 1953.

Bauhaus 1919-1933: Workshops for Modernity

Quando chegamos ao MoMA, estávamos entusiasmados com a exposição do Tim Burton, algo até então inédito para nós. Por isso, ficamos “cegos” em procurar saber quais as outras exposições que estavam rolando por lá. Aí veio a grande surpresa: a Bauhaus. Esta exposição, que fica até dia 25 de janeiro de 2010, está abrigada no sexto e último andar do museu. Infelizmente, não é permitido tirar fotos lá. Acredite, nem os japoneses conseguiram tirar algumas fotografias por lá, imagine nós, pobres mortais.

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Painel na entrada da exposição

Esta exposição é resultado da maior pesquisa já realizada pelo MoMA, desde 1938, sobre a famosa escola alemã. Fundada em 1919 e fechada pelos nazistas em 1933, a Bauhaus reuniu artistas, arquitetos e designers em conversa extraordinária sobre a natureza da arte na era da tecnologia. Com o objetivo de repensar a própria forma da vida moderna, a Bauhaus tornou-se o local de um deslumbrante conjunto de experiências nas artes visuais que moldaram profundamente nosso mundo visual de hoje.

A exposição reúne mais de quatrocentas obras que refletem o amplo leque de produções da escola, incluindo o desenho industrial, mobiliário, arquitetura, gráficos, fotografias, têxteis, cerâmica, design de teatro, pintura e escultura, muitos dos quais nunca antes foram expostos nos Estados Unidos. Há trabalhos expostos, não só de professores e de alunos famosos, como Anni Albers, Josef Albers, Herbert Bayer, Marianne Brandt, Marcel Breuer, Lyonel Feininger, Walter Gropius, Vasily Kandinsky, Paul Klee, László Moholy-Nagy, Lucia Moholy, Lilly Reich, Oskar Schlemmer e Gunta Stölzl, mas também uma ampla gama de trabalhos de alunos inovadores – mas menos conhecidos – sugerindo a natureza coletiva das ideias.


Paul Klee, suíço, 1879-1940; na Bauhaus entre 1921-31: The Angler, 1921


Herbert Bayer, austríaco, 1900-1985; na Bauhaus entre 1921-28: 10 Banknotes, desenhadas para Banco do estado da Turíngia, 1923

A exposição, logicamente, está divida cronologicamente pelas três grandes fases da escola: Weimar (1919-25), Dessau (1925-30) e Berlin (1930-33).

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Walter Gropius, alemão, 1883-1969; na Bauhaus entre 1919-28: Newspaper shelf, 1923


Josef Hartwing, alemão, 1880-1955; na Bauhaus entre 1921-25: Jogo de Xadrez (modelo XVI), 1924


Josef Albers, alemão, 1888-1976; na Bauhaus entre 1920–33: Kombinations-Schrift (Combinação de letras), 1926

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Marcel Breuer, húngaro, 1902-1981; na Bauhaus entre 1920-28: Club chair criada em 1925, esta exemplar cadeira foi feita a mão em 1926


Oskar Schlemmer, alemão, 1888-1943; na Bauhaus entre 1921-29: Bauhaustreppe (Bauhaus Stairway), 1932

É claro que uma exposição destas tem seu valor uma vez admirada ao vivo, mas como nem todos podem visitá-la, o museu disponibiliza uma visita online em seu site. Aliás, o museu deixa claro o quanto acompanha a evolução dos tempos, mostrando na internet quase tudo o que expõe e disponibilizando uma excelente rede wireless em todo museu (gratuita, o que em NY soa como música aos ouvidos dos turistas).

Behind the Scenes: Tim Burton

De longe, a mais concorrida exposição do período. Pudera, Tim Burton resolveu fazer uma exposição com trabalhos desde sua infância até os dias de hoje.

Para quem não sabe, Tim Burton é diretor de filmes como O Estranho Mundo de Jack, Edward Mãos de Tesoura, A Fantástica Fábrica de Chocolate e do inédito Alice no País das Maravilhas, conquistando para si uma audiência internacional de fãs e influenciando uma geração de jovens artistas que trabalham em cinema, vídeo e ilustração.

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Publicação oficial da exposição

Esta exposição explora a gama completa de seu trabalho criativo, seguindo a corrente da sua imaginação visual dos desenhos da primeira infância através de sua obra madura no cinema. Reúne centenas de desenhos raramente ou nunca antes vistos, pinturas, fotografias, animações, arte conceitual, storyboards, fantoches, maquetes, figurinos de seus filmes, projetos pessoais não realizados ou pouco conhecidos que revelam o seu talento como ilustrador, fotógrafo, escritor e artista dentro do espírito do Pop Surrealismo.

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Como já disse no início desta matéria, não foi possível tirar fotos do lado de dentro da exposição, uma pena. Mas não fiquem tristes: descobri, enquanto estava redigindo este texto, que a mesma exposição vai ser trazida para o Brasil pelo Centro Cultural Banco do Brasil. Ainda não há data confirmada, mas será já em 2010.

Logo na entrada, há um painel com a cronologia da vida de Tim Burton, bem ao estilo do artista. Após uma espera não tão demorada na fila (que, diga-se de passagem, a única que havia no MoMA inteiro nesse dia), você literalmente “entra” no mundo dele. Veja na foto abaixo o porquê.

Foto por Jean Lin para o site Otto-Otto
Foto por Jean Lin para o site Otto-Otto.

Foto por Jean Lin para o site Otto-Otto
Foto por Jean Lin para o site Otto-Otto.

No corredor inicial você pode ver curtas de animações de Tim Burton, um aperitivo para o que está por vir nas próximas salas. O que você encontra a seguir são desenhos e pinturas mescladas com miniaturas e maquetes de personagens feitos por Burton, com telas passando conteúdo animado do autor. Um verdadeiro mergulho na mente criativa de Tim Burton.

No último espaço, o MoMA destinou para personagens dos filmes que Burton dirigiu. Há desde miniaturas a figurinos originais de personagens como Mulher Gato (Batman O Retorno, 1992), Edward (Edward Mãos-de-Tesoura, 1990) entre outros.

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Balloon Boy, no lobby do Museu.

De fato é uma exposição imperdível. Ainda mais agora que ela vem pro Brasil! A seguir, alguns vídeos que achei sobre a exposição (um deles com o próprio Tim Burton). Vale a pena assistir.


Tim Burton MoMA Spot


Behind the Scenes: Tim Burton


Behind the Scenes: Tim Burton: Creatures and Carousel


Behind the Scenes: Tim Burton: Creature’s Mouth

O MoMA faz jus a sua fama de um dos melhores museus do mundo, com boas exposições, organização profissional e excelentes instalações. Se for a Nova Iorque, não deixe de visitá-lo.

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sobre o autor

thiago mano
Formado em Desenho Industrial pela Faculdade da Cidade/RJ desde 2005. Trabalhou nas agências Tecnopop e Tátil Design, contando no seu portfolio com trabalhos da TIM, NET, Duloren, Femmina, P&G, Shell e Bradesco. Hoje faz parte da equipe criativa da agência Conception. Gosta de fazer ilustração em Pixel Art, fotografia e viajar.



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