ArquiteturaArteDestaqueExposiçõesPinturaViagens

Getty Center e Getty Villa

Demorou, mas chegou! Vocês sabem que a gente fez uma viagem incrível a Los Angeles e New York. Não?!? Bom, sempre mantivemos contato durante todo o mês de novembro e comecinho de dezembro, pelo Twitter. Deixamos a De2ign um pouco vazia nesse tempo, mas já voltamos e agora vamos contar tudinho o que vimos lá nos “Estates”.

Clique para ampliar

Para começar, vou falar um pouco de Jean Paul Getty, fundador dessa grandiosa instituição, que muita gente não conhece:

J. Paul Getty nasceu no seio de uma família dedicada à indústria petrolífera (era filho de George Franklin Getty) e foi um dos primeiros homens a atingir uma fortuna superior a 1 bilhão de dólares (uau!). Ávido colecionador de arte e de antiguidades, a sua coleção e a sua mansão de Malibu foram a base do Museu J. Paul Getty na Califórnia.

Um dos maiores defensores das artes em todo o mundo, a J. Paul Getty Trust é uma instituição internacional, cultural e filantrópica criada por J. Paul Getty, que incide sobre as artes visuais em todas as suas dimensões. O Getty serve tanto ao público em geral como para um amplo leque de comunidades de profissionais em Los Angeles e em todo o mundo. Através do trabalho dos quatro programas do Getty Center (Museu, Instituto de Pesquisa, Instituto de Conservação e Fundação), novos conhecimentos e opiniões são apresentados, aprofundando a compreensão e preservação do patrimônio do mundo artístico. O Getty faz cabo desta missão com a convicção de que a consciência cultural, a criatividade e o prazer estético são essenciais para uma sociedade civil e vital.

The Getty Center

Em 1983 Jean Paul Getty Trust, comprou cerca de 750 hectares no sopé das montanhas de Santa Monica, Los Angeles. No ano seguinte, após uma pesquisa internacional, o arquiteto Richard Meier foi escolhido para projetar o Getty Center. Famoso por suas contribuições para o modernismo arquitetônico, Meier apegado ao seu estilo de materiais mais clássicos, resolveu expressar o Getty com raízes do passado e com crenças no futuro. O Getty Center foi aberto ao público em Dezembro de 1997.

O museu, além de ser incrível pela sua estrutura, tem um acervo gigante. É de ficar de boca aberta em pensar que um homem conseguiu erguer uma instituição dessas com um acervo tão espetacular.

Lá você poderá encontrar de pinturas a fotografias. Nós vimos alguns desenhos de alunos de Rembrandt comparados com desenhos dele mesmo (são quase idênticos!). Podemos ver como esculturas são feitas desde sua concepção, como por exemplo, a exposição que explora a vida de La Roldana, bem como as técnicas envolvidas na criação multifacetada da escultura (essa exposição é uma das melhores, por explorar tecnologia na hora de ensinar sobre as técnicas). Vimos também a exposição do fotógrafo Irving Penn, um dos fotógrafos mais respeitados do século 20. Enfim, fora o acervo de pinturas e esculturas maravilhosas.

Clique para ampliar

O Getty está empenhado em fornecer liderança ambiental na comunidade cultural. Em 2005, o Getty Center se tornou a primeira instalação dos Estados Unidos a ganhar o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), uma certificação para edifícios reconhecidos pelo US Green Building Council. Desde 2001, o Getty reduziu o consumo de energia em 10% através de incentivos a transporte alternativo, paisagismo, iluminação inovadora e reciclagem de lixo.

Assim que você chega lá, deve parar o carro no estacionamento (que é a única coisa que você deverá pagar, já que a entrada no museu é gratuita). Depois você pega um trenzinho (essencialmente um elevador horizontal), que leva os visitantes até o morro. O trem é elétrico e o passeio leva aproximadamente 5 minutos até o cume.

Clique para ampliar

Tudo foi projetado para dar aos visitantes a sensação de ser elevado para fora de seu dia-a-dia, diz Meier.

Lá em cima você encontra a arquitetura de Meier (sutil, lúdica e dramática), que fez uso de quadrados e círculos, complementando e unificando o conjunto de edifícios. As paredes, janelas, pisos e pavimentos exteriores são organizados em uma grade. A superfície lisa sob os nossos pés é travertino (a mesma pedra que cobre grande parte do Getty Center), que vem de Bagni di Tivoli, na Itália.

Clique para ampliar

Combinando elementos arquitetônicos e paisagísticos, o pátio do museu dispõe de uma fonte de 120 metros lineares que fica perto de um fileira de graciosas árvores cipreste-mexicanas. Ali nós podemos ver os maciços blocos de mármore de veios azuis agrupados numa piscina perto do Pavilhão Oeste.

Clique para ampliar

Clique para ampliar

Ocupando o nível superior, as pinturas que estão nas galerias do museu, são iluminadas por claraboias com grelhas, controladas por computador e um sistema de luzes artificiais frias e quentes. Além disso, o Getty aumentou a quantidade de luz natural no ambiente e substituiu milhares de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas, que são 80% mais eficiente, usando menos eletricidade nas galerias.

Clique para ampliar

Ainda perto das galerias de arte, existe um espaço chamado Family Room, onde os pais podem levar seus filhos para aprender a pintar e desenhar, conforme os artistas da época. Esse espaço é interessantíssimo, porque não é apenas um espaço de recreação, mas um espaço em que as crianças entram no clima do museu.

Clique para ampliar

Outra parte muito interessante que me chamou atenção, foi toda a concepção de jardins e paisagismo. Todos os jardins do Getty Center fornecem um contraponto de cor e textura para o complexo de edifícios. O mais notável é o Jardim Central – criação do artista Robert Irwin, que o chamou de “uma escultura em forma de um jardim que aspira a ser arte”. Os outros jardins do Getty Center foram concebidos pelo arquiteto e paisagista Laurie Olin, com colaboração de Richard Meier. Ainda no Jardim Central, você pode seguir um lindo caminho em ziguezague e ouvir o som da mudança do fluxo da água. As pedras foram colocadas ao longo do leito do rio para criar esta escultura sonora. Lá você poderá ver os grupos de plantas, soltas e pouco convencionais, organizadas por cor e textura. Na parte inferior do Jardim Central, a cascata de água passa por um muro de pedra e cai em um espelho d’água que cerca o labirinto de 400 azaleias, criando um jogo de luz, cor e reflexão.

Clique para ampliar

A Vista do Sul é uma recriação de uma paisagem desértica. Este jardim mantém um equilíbrio com o paisagismo do lado de fora, ao norte, onde é dominado por plantas azuis, roxas e cinzas. Empregando técnicas de irrigação mais eficientes e colocando, neste local, plantas tolerantes à seca, o Getty foi capaz de reduzir o uso da água por mais de 30%.

Clique para ampliar

Por último, não pudemos visitar o Instituto de Pesquisa, porque estava fechado, mas do lado de fora você pode ver um portal de travertinos, anunciando a entrada do Getty Research Institute. Lá abriga exposições temporárias e uma vasta biblioteca de arte. O prédio do Instituto é circular e é organizado por uma série de lofts abertos e ligados por rampas.

Realmente este foi um dos museus mais incríveis que eu já visitei. Dá para passar um dia todo lá, admirando o local, as artes e ainda tomando um café.

The Getty Villa

Em 1945, J. Paul Getty comprou 64 acres em Malibu para abrir o original J. Paul Getty Museum. Ele quis abrir sua própria casa para apresentar sua coleção, das quais antiguidades gregas e romanas estariam presentes. Em 1968, Getty decide recriar a casa de campo romana de Herculano (soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 D.C.), a Villa dei Papiri, nessa mesma propriedade, para exibir sua coleção crescente de arte. Como a maioria da Villa dei Papiri ficou soterrada, muitos detalhes arquitetônicos do Getty Villa são baseados em elementos retirados de outras casas romanas antigas. Assim, o novo J. Paul Getty Museum abre para o público, tornando-se um dos marcos culturais do Sul da Califórnia. Em 1997 o espaço em Malibu é fechado para reforma e o Getty Center é aberto ao público. Finalmente, em 2006 o recém-renovado espaço em Malibu abre como o Getty Villa, dedicado às artes e culturas da antiga Grécia, Roma e Etrúria.

Lá vimos uma coleção incrível de estátuas/esculturas etruscas e romanas, e uma vasta coleção de vasos gregos (lindos!). Também tem uma parte da exposição de joias de ouro e pedras preciosas, que já foram usadas por uma mulher (possivelmente uma sacerdotisa), que pode ter sido ligada à família real egípcia, os Ptolomeus.

Clique para ampliar

Todo o sistema de entrada do Getty Villa é igual ao Getty Center, você para o carro no subsolo da casa e paga apenas pelo estacionamento. Logo que você chega, repara no anfiteatro central que dá para a porta de entrada da casa. Assim que você entra na casa, chega ao Átrio (era a sala principal em uma casa romana). A abertura no teto é para a entrada de luz e ar, permitindo que a água da chuva caia no implúvio, onde é canalizada para uma cisterna subterrânea. No Templo de Hércules, o piso projetado para lá é uma réplica de um andar da Villa dei Papiri.

Clique para ampliar

Clique para ampliar

Clique para ampliar

Motivos decorativos são frequentemente extraídos da natureza. Os capitéis das colunas coríntias do triclínio são inspirados nas folhas acanto. No Jardim Oriente, a fonte é colorida com conchas e máscaras de teatro. Essa fonte é uma réplica de uma antiga fonte da Casa da Fonte Grande, em Pompéia.

Clique para ampliar

O grande jardim no final da casa, chamado Jardim Formal, é um lugar calmo para uma conversa e contemplação. Réplicas de estátuas de bronze encontradas na Villa dei Papiri estão em cada ponta da piscina, trazendo a simetria de um Jardim Formal.

Clique para ampliar

A maioria das casas romanas tinham Jardins Formais e Jardins Domésticos. O Herb Garden (jardim de plantação) é um jardim no exterior da casa que traz espécies de plantas do Mediterrâneo – árvores frutíferas, arbustos e ervas utilizadas para cozinhar e para a medicina. Na parte de fora do Getty Villa, a estrada principal simula as ruas antigas de Pompéia e Herculano, que foram pavimentadas com grandes pedras irregulares.

Bom, isso é um pouco do maravilhoso Getty Villa. Você se sente na verdadeira Villa dei Papiri no século primeiro!

Na verdade tentei mostrar um pouco do que vimos nesses dois magníficos museus, mas para sentir o quanto a arquitetura desses lugares e o quanto tudo é tão perfeito, só indo lá pessoalmente e conferindo de perto. Sem falar nas obras de arte, pinturas, esculturas e jardins maravilhosos. Tudo é muito bem cuidado e não pagamos nada por isso (o que é mais incrível). Espero que tenham gostado!

matérias relacionadas

Urban gardening
City Plates: pratos à la Google Maps
Peixe Grande 2010: estamos participando!

sobre o autor

barbara
formagio
Formada em Desenho Industrial pela Faculdade da Cidade (RJ) desde 2005. No seu portfolio há clientes como TIM, Unimed, Nokia, Sadia e Icatu Hartford. Trabalhou na Tátil Design por 4 anos e agora está na Cuca Design. Gosta de dançar muito, de chocolate, viajar, viajar, viajar (ama viajar! E quem não gosta?!). Adora moda e promete mergulhar de cabeça nessa área.



recomendamos

I Am Plastic: The Designer Toy Explosion

368 páginas

Editora Harry N. Abrams, 2006
Inglês

sites recentes

Volta Ferrorama
Promocional
Paul Frank
Promocional
Pilot Handwriting
Tipografia
 
 
 

debate atual

Criação vs Produtividade

matérias randômicas

Concept Design BriT Award
A arte de Tom Veiga na moda da Billabong
Prêmio EcoPET 2010
Uma questão de gosto
Dedo skatista

flickr

www.flickr.com/de2ign

arquivo

creative license

Tirinhas exclusivas de N.C. Winters, traduzidas para o português.
Creative License #66 – Despedida Final

enquete

  • Desculpe, não há nenhuma enquete ativa neste momento.

feedback

Você tem alguma idéia ou sugestão
para melhorar nosso site? Nós queremos ouvi-lo! Queremos que a De2ign seja, cada vez mais, do seu jeito e com a sua cara!

newsletter

Assine a newsletter e receba nossas matérias por e-mail. É mole ou quer mais?

twitter

Ó nós aqui no Twitter...