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Pixel Show 2009

Fim de semana com feriado – ótimo momento para ir a São Paulo assistir um evento de Design! Apesar de São Pedro não colaborar com a saída dos cariocas da cidade maravilhosa, chego na terra da garoa 24 horas depois do planejado e, apesar de um dia inteiro perdido, vou munida de toda a minha disposição.

O Pixel Show é uma conferência sobre criatividade e tecnologia que desde 2005 faz circuitos de palestras com nomes renomados do design. Já passaram pelo evento Guilherme Marconi, Gustavo Piqueira, Jum Nakao, Lobo, Visorama, isso para falar alguns. O evento cresce a cada dia que passa, a previsão de 2009 eram 1200 participantes e eu fui lá conferir.

Nelson Balaban – Xtrabold

Esse menino de 20 anos, faz parte da KDU – Keystone Design Union, um coletivo de design que trabalha muito com moda e arte. E não é que o cara tem trabalho bom? Faz de tudo um pouco: moda, concept boards etc. Com um trabalho muito direcionado para ilustração e um discurso bem coeso, coisa que a gente não costuma ver em gente novinha. Esse ainda vai longe.

CuboCC

Misto de agência e produtora que desenvolve projetos interativos. A Cubocc possui mais de 90 pessoas ao todo. Achei interessante o discurso sobre o formato de trabalho deles. Parte do grupo é o concept da empresa, pessoas que vem de diferentes áreas, de planejamento, criação, mídia etc. O concept é o responsável pelo atendimento, briefing e plano de comunicação. Toda empresa – inclusive o financeiro – responde para esse núcleo.

Foram eles que fizeram aquela campanha incrível com o Doritos gigante e os bonequinhos e outras ótimas ações virais para a Axe Music Star, com games, realidade aumentada, carrinhos de supermercado de corrida. Achei umas fotos bem bacanas do escritório aqui.

Fora essa história, eles estão desenvolvendo um projeto pessoal coletivo chamado “its not scientology” com posters do pessoal da “não agência” e prometeram fazer escambo para quem mandar material bacana para eles.

Estúdio Árvore ou Vitor Santos e Rogerio Hideki

Essa parceria de 11 anos que não para de dar frutos foi gerada a partir de uma grande salada de origens, momentos e trabalhos que eles mostraram um pouquinho.

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A partir da mistura das origens – interior de São Paulo, Brasília e Rio e das referências de trabalho e experiências anteriores: Alpargatas, medicina, Varig e Zoomp, associando moda e design com ideias sempre inovadoras e com excelência não somente de pensamento mas de produção, surgiu a V.Rom, grife de moda masculina uber cool paulista.

Pós V.Rom eles sentiram necessidade de seguir para um novo modelo e caminho de criação, não tão voltado para uma mesma marca. Surgiu então o Estúdio Árvore, com esse novo modelo de trabalho, consultoria de estilo e moda em publicidade, design de estamparia e papelaria, expertise da dupla.

No Estúdio Árvore hoje são 13 pessoas trabalhando com styling e produtos para clientes de moda ou relacionados a ela, como Maria Bonita Extra, Leeloo, C&A, New Balance e o Fashion Week para citar algumas. Esse tempo todo de trabalho ajudou a maturar o pensamento da moda e design. Eles abordaram alguns temas relacionados a moda que eu achei relevantes para repetir e refletir.

A moda e o mercado

O design fica um pouco em segundo plano no core da moda. O foco é a produção industrial – coisas que funcionem e que sejam rápidas e práticas. Isso, para quem busca qualidade e inovação com um olho em novas possibilidades é um bocado difícil, uma vez que a velocidade da moda é surreal.

Moda e design – o que os aproxima e o que os afasta

O processo é semelhante, necessidade/briefing, desenvolvimento de conceito, criação, produção. A questão é que para a moda, essa linguagem precisa ser renovada com uma velocidade brutal (principalmente na moda feminina), pois existem as coleções. A linha de raciocínio é um pouco diferente, um tema abordado em uma coleção deve ser completamente abandonada na seguinte. É uma efemeridade brutal. Tudo bem que a gente sabe que invariavelmente o que a gente cria vai parar no lixo em algum momento, mas na moda, praticar o desapego em 6 meses de uma linguagem estética e conceitual é bem forte.

O mundo da moda – formatos das empresas

Existem dois formatos bem definidos no modelo de empresas de moda, um outro mundo de extremos. De um lado confecções bem pequenas com estrutura familiar e no outro extremo as mega fusões, como o grupo AMC Têxtil que hoje possui Sommer, Carmelitas, Forum, Triton, Colcci e que basicamente dominam o mundico para vender o tecido que eles mesmos fabricam. Eu particularmente acharia incrível se a Suzano comprasse as Encadernações Superaventuras para movimentar o mercado de papel – desenvolveriamos projetos jamais vistos!

O design na moda

Quem trabalha com moda pode ter dois caminhos: trabalhar com produção, desenvolvendo estamparia e aviamentos ou no marketing, desenvolvendo papelaria, catálogos, convites e material de suporte para a marca aparecer.

Comemorando a apresentação no Pixel Show eles trouxeram duas novidades: a primeira foi o lançamento do novo site do Estúdio, que agora esta bem alinhado com o momento que a empresa está vivendo (vale a visita); e o segundo foi o lancamento da Treeshirts, um e-commerce com novas camisetas da dupla! Uma evolução da proposta anterior (quando ainda estavam na V.Rom) o projeto reflete esse novo momento. A base de trabalho das camisetas é malha de algodão orgânico, até as etiquetas são em papel semente de cravo – aquele papel incrível, que serve para plantar! O site já está no ar para cadastro e deve entrar no ar oficialmente em alguns dias.

Alexandre Sesper

Muito interessante o trabalho desse artista plástico com referências não convencionais. O cara viveu o movimento surf-skate-hardcore intensamente e isso é representado no seu trabalho de uma forma super autoral. Acho que por ele nunca ter feito uma palestra antes, optou por fazer um vídeo de suporte mostrando a evolução da sua vida e como isso tornou ele em que é hoje. Bom pra nós pois esse pequeno documentário foi disponibilizado por ele e você pode conferir aqui.

Musa Worklab

Esse escritório de design e arte português surgiu a partir da evolução do projeto Musa Collective, cujo objetivo era destacar designers e ilustradores portugueses tanto localmente como globalmente. Esse projeto foi desenvolvido basicamente através da internet e foi compilado para virar um livro. Esse livro virou exposição, a exposição ganhou o mundo e formou-se um gosto de produzir esses projetos. A partir de então surgiram novas ideias, entre elas a revista NLF (Nothing Lasts Forever) que já está na sua oitava edição abordando temas variados por essa rede de designers.

Além dos projetos do Musa Collective, o Musa Worklab é um escritório de design que possui clientes externos e lida com os mesmos problemas que todos os outros enfrentam. Tem um vídeo bem bacana sobre os projetos rejeitados. Veja abaixo:

Confira mais fotos do evento no Flickr da De2ign.

Gostei! 1

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sobre o autor

paula varzea
Designer, encadernadora e multitarefas, Paula acha muito estranho falar na terceira pessoa. Nesse momento, olhando para o umbigo, se dá conta que é muito feliz em tentar abraçar o mundo com os bracinhos curtos (especialmente o Japãozinho) e poder ser autêntica falando o que dá na cabeça e vivendo superaventuras.

*Ah, ela se formou na UFRJ tem um tempão e trabalha atualmente na Cuca Design com uma penca de clientes legais.

  • Thiago Mano

    Bravo! Parabéns, Paulinha! Matéria nota 10!

  • Paula Varzea

    Oba! Que legal que você gostou! Uma pena que só deu para pegar metade do evento…



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Editora Collins Design, 2008
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